A morte não está nem aí para nós; ela tem "vida própria".
A morte ignora nossos méritos, nossas obras. Ela é uma simples mutação da matéria que se cansa de resistir à vida. Freud: "A vida é o conjunto de forças que resiste à pulsão de morte". A matéria quer sossego. Às vezes, quando tenho vontade de morrer, imagino, por exemplo, o mar da Bahia: vou deixar esse céu azul colado no grande oceano que bate em pedras negras com o sol afogado no horizonte?
Vou sair daqui para ir onde? Ao encontro de Deus? Mas, já estamos na eternidade, o universo é a eternidade. Não é que Deus esteja em tudo; tudo é Deus, como o grande gênio Espinosa sacou. Viver é ver Deus, ali, na galáxia e no orgasmo, no buraco negro e no coração batendo - tudo a mesma coisa. Perdemos a paz dos pássaros e macacos, mas esse exílio nos deu a maravilhosa anomalia da linguagem. Vemos o universo de fora, estando dentro. Parafraseando Cézanne, "somos a consciência do universo que se pensa em nós".
(Desculpem o papo "cabeça", mas final de ano me faz "filosófico"... )
Há mortes súbitas e lentas. Você, frágil leitor, qual delas prefere? O rápido apagar do "abajur lilás" num ataque cardíaco ou o lento esvair da vida, sumindo com morfina?Eu queria morrer como o velho Zorba, o grego, em pé, na janela, olhando a paisagem iluminada. E, como ele, dando um berro de despedida. Mas não tenho sua grandeza épica.
Vou ter saudades de tudo – Arnaldo Jabor
2009-12-16T11:00:00-02:00
vitalves
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