Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à idéia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranqüilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...
( Vinicius de Moraes )
A ausente - Vinícius de Moraes
2010-12-29T14:37:00-02:00
vitalves
textos|vinícius de moraes|
Outros autores em destaque
Artur da Távola
Augusto dos Anjos
Charles Chaplin
Chico Buarque
Chico Xavier
Clarice Lispector
Eugênio de Andrade
Fabrício Carpinejar
Gabito Nunes
Gabriel Chalita
Henrique Pedro
José Saramago
Luis Fernando Verissimo
Luíz Vaz de Camões
Lya Luft
Machado de Assis
Magali Moraes
Mahatma Gandhi
Manuel Bandeira
Martha Medeiros
Monteiro Lobato
Oswald de Andrade
Oswaldo Montenegro
Vander Lee
Victor Barone
Mais lidos
-
Tenho sentido uma enorme e discretíssima felicidade apenas por acordar cedo (acordar já é vitória; cedo, vitória dupla), fazer ...
-
Quem sou eu? Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e ...
-
Minhálma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver! Não és se quer razão do meu viver, Pois que tu és já toda a minh...
