O tempo seca a beleza,
seca o amor, seca as palavras.
Deixa tudo solto, leve,
desunido para sempre
como as areias nas águas.
O tempo seca a saudade,
seca as lembranças e as lágrimas.
Deixa algum retrato, apenas,
vagando seco e vazio
como estas conchas das praias.
O tempo seca o desejo
e suas velhas batalhas.
Seca o frágil arabesco,
vestígio do musgo humano,
na densa turfa mortuária.
Esperarei pelo tempo
com suas conquistas áridas.
Esperarei que te seque,
não na terra, Amor-Perfeito,
num tempo depois das almas.
( Cecília Meireles )
O tempo seca o amor – Cecília Meireles
2012-05-15T21:53:00-03:00
vitalves
Amor|Cecília Meireles|textos|
Outros autores em destaque
Artur da Távola
Augusto dos Anjos
Charles Chaplin
Chico Buarque
Chico Xavier
Clarice Lispector
Eugênio de Andrade
Fabrício Carpinejar
Gabito Nunes
Gabriel Chalita
Henrique Pedro
José Saramago
Luis Fernando Verissimo
Luíz Vaz de Camões
Lya Luft
Machado de Assis
Magali Moraes
Mahatma Gandhi
Manuel Bandeira
Martha Medeiros
Monteiro Lobato
Oswald de Andrade
Oswaldo Montenegro
Vander Lee
Victor Barone
Mais lidos
-
Tenho sentido uma enorme e discretíssima felicidade apenas por acordar cedo (acordar já é vitória; cedo, vitória dupla), fazer ...
-
Quem sou eu? Quando não temos nada de prático nos atazanando a vida, a preocupação passa a ser existencial. Pouco importa de onde viemos e ...
-
Minhálma, de sonhar-te, anda perdida Meus olhos andam cegos de te ver! Não és se quer razão do meu viver, Pois que tu és já toda a minh...
