– Óquei.
– Contra minha vontade...
– Óquei.
– ...mas vou.
Leia mais...Não, ele não é como eu sonhava. Tem centímetros a menos de romantismo e metros a mais de sedução. Ele não lê meus poemas e nunca me trouxe uma flor. Mas ele sabe a cor exata dos meus lábios e me acha bela.
As promessas que esperava, ele nunca disse. Mas me encheu de esperança e me fez sentir menina. Eu gostei.
Não é da minha natureza esperar que me deem liberdade, não espero pelo pouco que há de essencial na vida. Sendo liberdade uma delas, eu mesmo me concedo. Ser livre não me ensinou a amar direito, se por direito entende-se este amor preestabelecido, mas me ensinou as sutilezas do sentimento, que, afinal, é o que o caracteriza e o torna pessoal e irreproduzível.
Bom, resumindo é isso: você, você, você, você, você. Mas se você não me quisesse de verdade, já teria me falado alguma coisa. Mas como a gente mal troca uns resmungos e cumprimentos formais, a hipótese fica aberta. Sabe, estou sempre sentado estrategicamente a 30° de inclinação do eixo do meu mundo, que ultimamente, não sei a causa, tem sido você.
Não sei se você faz isso só pra me irritar ou com intuito de ser convidada pela Ana Maria Braga pra falar sobre desrespeito e promiscuidade. E sei que o convencional seria você me dar uma satisfação sobre onde dormiu ontem e com quem, mas nunca pensei que fosse um dia capaz de dizer isso: não estou nem aí, contanto que você não pareça tão insossa nos próximos dias. Amarga ou azeda, seu gosto não tem sido muito bom.
Ela com 19 e eu com 20 anos de idade. Lua-de-mel, viagens, prestações da casa própria e o primeiro bebê, tudo uma beleza.
Anos oitenta, a moda na época era ter uma filmadora do Paraguai. Sempre tinha ou tem um vizinho ou mesmo amigo contrabandista disposto a trazer aquela muambinha por um precinho muito bom!