Eita tempo que não passa!
Ah, saudade que no peito me dói!
Saudade que me deixa sem graça,
Tempo que minha paciência destrói...
Ó, Tempo!... deixa de pirraça
E sê para sempre o meu herói!
Ó, Saudade!... não sejas a desgraça
Que o meu coração corrói!
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O que mais dói não é sofrer saudade
Do amor querido que se encontra ausente
Nem a lembrança que o coração sente
Dos belos sonhos da primeira idade.
Não é também a dura crueldade
Do falso amigo, quando engana a gente,
Nem os martírios de uma dor latente,
Quando a moléstia o nosso corpo invade.
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(Aos amigos Vital e Patrícia)
Se para ambos o amor é vital,
De igual modo é a felicidade...
Ele – o patronímico Vital –
Por ela sente amor de verdade.
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Voa, pensamento, voa!..
E traze-me do além
Notícias de um certo alguém
Que há muito me atordoa.
E quando estiveres à toa,
Leva para lá, também,
As chagas que o meu peito tem,
A saudade que em meu peito ecoa.
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Por essa vida fora hás-de adorar
Lindas mulheres, talvez; em ânsia louca,
Em infinito anseio hás de beijar
Estrelas d´ouro fulgindo em muita boca!
Hás de guardar em cofre perfumado
Cabelos d´ouro e risos de mulher,
Muito beijo d´amor apaixonado;
E não te lembrarás de mim sequer...
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Se tens baixa estatura,
Se te chamam “pequenina”,
Não te importes, Criatura,
Pois encantas nossa retina.
Não permitas que a altura
Alimente as cretinas
Piadas cuja leitura
O bom senso abomina,
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Tudo de amor que existe em mim foi dado
Tudo que fala em mim de amor foi dito
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.
Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.
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Esse de quem eu era e era meu,
Que foi um sonho e foi realidade,
Que me vestiu a alma de saudade,
Para sempre de mim desapareceu.
Tudo em redor então escureceu,
E foi longínqua toda a claridade!
Ceguei... tateio sombras... que ansiedade!
Apalpo cinzas porque tudo ardeu!
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Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguém,
Tuas amigas ter-te-ão amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.
Vaidade é o luxo, a glória, a caridade,
Tudo vaidade! E, se pensares bem,
Verás, perdoa-me esta crueldade,
Que é uma vaidade o amor de tua mãe...
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Desculpe-me o dilema, caro leitor,
Mas na vida do homem isso é comum.
Não sei se quero ser mais um
A trocar o ócio pelo labor.
Não sei se prefiro o frio ao calor,
Não sei se como caviar ou jerimum,
Não sei se muito dinheiro ou nenhum,
Não sei se “transo” ou se faço amor.
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Lá do céu, bem pertinho da lua,
Olha para mim uma estrela sorridente
Querendo me dizer, insinuantemente:
"-Se me alcançares, serei toda tua”.
A estrela, que há muito se insinua,
Para mim mostra-se constantemente:
Fogosa, cheia de charme, atraente,
Com a pele morena, totalmente nua.
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Amor, que o gesto humano na alma escreve,
Vivas faíscas me mostrou um dia,
Donde um puro cristal se derretia
Por entre vivas rosas e alva neve.
A vista, que em si mesma não se atreve,
Por se certificar do que ali via,
Foi convertida em fonte, que fazia
A dor ao sofrimento doce e leve.
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Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa.
Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.
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Olhando-nos de través,
Aquela tua fotografia
Revela-nos quão forte és
E quão valioso nos seria
Se fosses a escolhida
Do nosso Pai Criador
Para ser guardiã da vida
Desse poeta sonhador
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Vens chegando, à sacapa, sorrateira,
mandando-me alertas convincentes,
no preparo da hora derradeira,
com avisos mui graves e frequentes.
Não te temo, pois vens me prevenindo,
mas suplico: dês mais tempo à poesia,
que só ela me traz ardor infindo,
e só nela eu me quedo em fantasia.
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Lá no horizonte, distante, encontrei
numa constelação dos meus sonhos
Meu mundo há tempos a ti dediquei
luz dos meus olhos em todos os anos
Minha estrela, te ver assim radiante
careço todo instante poder te sentir
Já todas as noites comigo, brilhante
quero por toda a vida estar junto a ti
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As dores que sinto no coração
Se espalharam pelo corpo inteiro.
Preocupado, busquei um curandeiro
Que me disse não haver solução,
Pois o que antes era sofreguidão
Se tornara um tumor hospedeiro
Do amor profundo e verdadeiro
Que se alimenta da minha paixão.
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Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contem o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
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Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
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De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinicius de Moraes)
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